13/03/2008

COMPULSIVOS POR TRABALHO

Workaholics: compulsivos por trabalho
Por Por Marcelo Dratcu (*)

São Paulo, 13 (AE) - Ter prazer, gostar do que faz, ser pró-ativo e cumprir metas e prazos no trabalho é fundamental para a produtividade. Porém, trabalhar excessivamente nem sempre é saudável, nem sinônimo de bons resultados. Ainda que trabalhar muito denote o bom desempenho e exageros podem ser um tiro pela culatra.
O indivíduo compulsivo pelo trabalho, chamado em inglês de workaholic, nem sempre tem uma performance tão boa. Ele é muito competitivo, agressivo e intolerante com os colegas de trabalho, geralmente criando um péssimo ambiente, principalmente quando os outros não seguem o mesmo ritmo. Para ele, não há limites. Seus comportamentos são extremos, como trabalhar a qualquer hora, inclusive em feriados e finais de semana, e em qualquer lugar, até mesmo enquanto come. Dorme pouco, tem dificuldade para descansar, relaxar ou tirar férias, e tem uma visão distorcida do que é lazer. O resultado disso, em geral, é o isolamento, a queda da produtividade e a piora da qualidade de vida.
Estes profissionais muitas vezes alcançam sucesso na carreira enquanto ainda são jovens, mas, aos poucos, os sinais e sintomas do estresse vão minando a sua saúde. Isso contribui para o aparecimento ou agravamento de problemas, principalmente os cardiovasculares, como pressão alta, enfarte e derrame. Isto é muito freqüente naquelas pessoas que se expressam com raiva e impaciência, tipicamente classificadas como personalidade do tipo A.
Segundo a Associação Internacional dos Trabalhadores Compulsivos Anônimos, o primeiro passo para a cura é o individuo se conscientizar de que esta é uma situação doentia e que prejudica a saúde. O profissional precisa entender que não vale à pena correr o risco de adoecer física e/ou mentalmente. Para combater o problema, devem ser adotadas mudanças no estilo de vida, como a prática de exercícios físicos, higiene do sono, dieta saudável, atividades de lazer e apoio social. O tratamento requer também terapia, especialmente a cognitivo-comportamental, e muitas vezes, remédios.
Ser produtivo não significa, necessariamente, ter que ficar depois do horário no escritório com a cabeça fincada nos papéis. O importante é ser eficiente e saudável.
(*) Marcelo Dratcu é formado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), com especialização em terapia cognitivo-comportamental e pós-graduado em Gestão de Sistemas de Saúde pelo Gallilee College. Foi observador do Programa de Tratamento Cognitivo-Comportamental para Transtorno Obsessivo Compulsivo (T.O.C) Infantil na Neuro Behavioral International, nos Estados Unidos e realizou o Elective Rotation Program em medicina preventiva pela Universidade de Manitoba, no Canadá.
(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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